Só no Rio Grande do Norte, quase
900 mil potiguares vivem em locais sem atendimento bancário
presencial, o equivalente a 27,4% da população do Estado.
O Brasil perdeu 37% das agências bancárias em apenas dez
anos. Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, no dia 22 de março,
revelou que o número de unidades caiu para pouco mais de 14 mil em todo o país.
Essa situação vem aprofundando o processo de exclusão financeira e precarização
do trabalho no setor.
O levantamento, conforme dados do Banco Central do Brasil e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), aponta que 638 municípios brasileiros ficaram sem qualquer agência bancária desde 2015. Com isso, cerca de 6,9 milhões de pessoas passaram a viver em cidades totalmente desassistidas por atendimento bancário presencial.
Aqui no RN, também houve uma forte redução no número de agências bancárias. Entre 2015 e 2025, o total de unidades no estado caiu de 208 para 162, um fechamento de 46 agências e uma redução de 22,11%. Quase 900 mil potiguares (cerca de 899.858) vivem em locais sem atendimento bancário presencial, o equivalente a 27,4% da população do RN. Ao todo, 138 municípios do estado não possuem nenhuma agência bancária. Natal foi a cidade que mais perdeu, caindo de 82 agências em 2015 para 58 em 2025, uma redução de 24 unidades no período.
Atualmente, 2.649 municípios (48% das cidades brasileiras) não possuem nenhuma agência. Essa realidade afeta aproximadamente 19,7 milhões de brasileiros, cerca de 9% da população do país.
Lucros crescem enquanto serviços são reduzidos
O fechamento de agências se intensificou nos últimos anos,
impulsionado pela busca permanente dos bancos por aumento da lucratividade.
Desde 2015, quase 6 mil unidades tradicionais foram encerradas. Em paralelo, as
instituições financeiras ampliaram investimentos em atendimento remoto e em
estruturas voltadas a clientes de alta renda. Os bancos têm priorizado agências
mais sofisticadas e especializadas para investidores ricos, em detrimento da
ampliação dos serviços bancários para a população.
Atendimento presencial e impacto direto no emprego
Apesar do avanço dos canais digitais, o atendimento
presencial continua sendo fundamental para grande parte da população. Dados de
2024 mostram que 27% dos pagamentos de contas foram realizados em agências,
além de 14% das contratações de investimentos e 5% do total de transações
bancárias. “O fechamento de agências amplia desigualdades e dificulta o acesso
de milhões de pessoas a serviços financeiros básicos, especialmente em cidades
menores e regiões mais pobres.”, avalia Alexandre Cândido, coordenador do
SEEB/RN.
Além de prejudicar a população, o enxugamento da rede física também tem impactos diretos sobre os trabalhadores do setor. Entre 2015 e 2024, foram eliminados 80.324 postos de trabalho bancário em todo o país. “Essa política dos bancos aprofunda a precarização das condições de trabalho, sobrecarrega os bancários que permanecem nas unidades e reduz a qualidade do atendimento prestado à sociedade.”, critica o dirigente.
É preciso enfrentar a política dos bancos
Diante desse cenário, o movimento sindical precisa enfrentar
a política dos bancos de fechamento de agências e de corte de empregos.
Enquanto o setor financeiro registra lucros bilionários ano após ano, a
população perde acesso a serviços essenciais e os trabalhadores enfrentam mais
pressão e insegurança no emprego. “Esse ano tem campanha salarial e nós, do
Sindicato dos Bancários do RN, vamos nos enfrentar com os banqueiros e o
governo, tanto para garantir condições dignas de trabalho aos bancários quanto
para assegurar que a população tenha acesso a serviços financeiros de
qualidade.”, destaca Alexandre.
