O que acontece com os gerentes gerais do Banco do Brasil?

Para chegar às funções atuais, os gerentes gerais do Banco do Brasil começaram como escriturários, foram se aprimorando, acumularam conhecimentos e se capacitaram até receber uma procuração do banco para assumir a gerência de um prefixo. Portanto, esses profissionais percorreram uma estrada até serem reconhecidos como capazes de assumir um posto de tamanha responsabilidade.

Um ponto comum em todos esses profissionais, durante a jornada até chegarem a gerentes gerais, é que todos mostraram a capacidade de se comunicar, ou seja, negociaram com clientes, debateram com seus chefes e pares. Raramente aceitaram, calados, uma imposição quando tinham certeza de que a estratégia não era a mais adequada. Foram se tornando indagadores, até chegarem ao cargo máximo de uma agência.

Contudo, ao se tornarem gerentes gerais, o cenário começa a mudar. O perfil eloquente desaparece quando estão diante do superintendente regional. Os traços que antes impulsionavam suas trajetórias vão perdendo espaço diante da nova dinâmica hierárquica.

Por medo de perderem o cargo ou serem rebaixados de unidades, os GGs abaixam a cabeça para as mais questionáveis instruções do regional, aceitam, sem qualquer ressalva, a indicação de duvidosos livros motivacionais, precisam ver vídeos de autoajuda, uma quase imposição de “cultura coach”. Ao mesmo tempo, é preciso conciliar as diversas demandas da agência com dezenas de relatórios diários.

Nas reuniões individuais de alinhamento, existe um temor em expressar qualquer coisa que não agrade. É necessário se preparar para cada ligação ou mensagem recebida. A maior preocupação não está em apresentar o próprio ponto de vista, mas, sim, falar o que vai agradar aos ouvidos do superintendente. Não foi assim que os gerentes gerais chegaram às funções atuais.

Ficam chateados com a cobrança excessiva, mas não se arriscam a proferir qualquer ideia que possa contrariar o ideal construído pelo regional. A eloquência, que antes impulsionou a carreira do gerente geral, deu lugar à cautela e, em muitas situações, ao pânico, levando ao estresse, ao sofrimento psíquico, ao adoecimento mental e ao medo do afastamento por adoecimento, pois a carreira de uma vida de dedicação perde-se em 90 dias de licença-saúde para tratamento médico.

O resultado alcançado pelo Rio Grande do Norte não está sendo o esperado pelo BB, o que posiciona a superintendência nas últimas posições do Brasil. A culpa está nos mais de 60 gerentes gerais, que já mostraram seu valor em outras oportunidades, ou na estratégia de impor uma cultura coach que não está funcionando?