Fim da escala 6x1 pode gerar 4,5 milhões de empregos e aumentar em 4% a produtividade do Brasil

Levantamento do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), do Instituto de Economia da Unicamp, indica que a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas poderia criar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevar em cerca de 4% a produtividade.

Outro estudo, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), também aponta que o mercado de trabalho brasileiro tem condições de absorver mudanças na jornada. Segundo a análise, a redução para 40 horas semanais teria impacto inferior a 1% nos custos de grandes setores, como indústria e comércio. Os custos seriam semelhantes aos impactos observados em reajustes históricos do salário mínimo, medidas que ao longo do tempo foram absorvidas pela economia sem provocar colapsos econômicos.

Ao longo do século XX, diversas conquistas trabalhistas enfrentaram a rejeição dos patrões, como a criação do 13º salário, há mais de 60 anos. Na época, empresários também alegavam que a medida quebraria empresas, o que não se confirmou.

Na prática, o debate sobre o fim da escala 6x1 expressa uma disputa de classe. “Enquanto trabalhadores reivindicam condições dignas de descanso, mais empregos e melhor qualidade de vida, grandes empresários tratam qualquer redução da jornada como ameaça aos lucros e à lógica de superexploração da força de trabalho.”, destaca Alexandre Cândido, coordenador do SEEB/RN.

Hoje, o Brasil possui 62 bilionários na lista da revista Forbes, enquanto milhões de trabalhadores enfrentam jornadas exaustivas. Essa desigualdade precisa ser enfrentada no debate sobre o futuro do trabalho no país. Assim, é preciso combinar a luta pelo fim da escala 6×1 com a sobretaxação das grandes empresas, para financiar a redução de impostos para os pequenos empresários. Quem deve pagar a conta do fim da 6x1 são os 62 bilionários que sufocam o país.