A atual gestão do Banco do Brasil adotou uma medida inadmissível contra a sua própria categoria ao adiar o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) dos funcionários para 2027. Trata-se de uma postura irresponsável e abertamente antissindical, que se soma a uma série de práticas questionáveis implementadas sob a presidência de Tarciana Medeiros.
Chantagem
corporativa e falta de transparência
Para justificar o adiamento, a direção do banco alegou a ausência de um
Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) formalizado até o dia 11/09/2026, citando
requisitos operacionais e prazos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). No
entanto, a realidade é outra. O banco utilizou o pagamento da PLR para coagir a
categoria a não entrar em greve, impondo prazos arbitrários que sequer foram
comunicados formalmente ao sindicato.
A gestão do BB exigiu a assinatura digital da Minuta do Acordo via link (nunca foi enviado ao sindicato), sem que houvesse tempo ou acesso para a leitura integral das cláusulas que vão reger os direitos da categoria pelos próximos dois anos. Na prática, o BB recusou-se a efetuar o pagamento previsto na CCT, instrumento legal que já se encontrava devidamente assinado.
Sistemas eficientes
para metas, ineficientes para o trabalhador
A alegação de que não houve "tempo hábil" para ajustar os
sistemas operacionais é uma ofensa à inteligência dos bancários. Uma
instituição que dispõe de uma das infraestruturas tecnológicas mais avançadas
do país (em 2024 demonstrou total capacidade de creditar e estornar valores nas
contas dos funcionários em questão de horas) não pode utilizar limitações
técnicas como desculpa para reter verbas de direito.
Práticas
antissindicais e limitação do debate
A conduta da diretoria reflete um padrão de atuação focado no marketing
institucional em detrimento das pautas reais da categoria. Por exemplo: a) A
turnê "A gente se importa com quem faz" buscou blindar a gestão
contra críticas relacionadas à inadimplência nas carteiras Agro e PJ, omitindo
debates cruciais como o combate ao assédio moral e o fim das metas abusivas; b)
Funcionários que se posicionaram criticamente foram contatados diretamente pela
gestão, e os canais de comunicação interna tiveram a seção de comentários
desabilitada durante a Campanha Salarial.
O papel da CONTRAF-CUT
e o cenário político
A postura da CONTRAF-CUT ao longo do processo demonstrou conivência com a
direção do banco. A entidade não se opôs ao atraso da PLR, reteve o acesso ao
texto das minutas e atuou para desmobilizar bases e acelerar a aprovação de
propostas desfavoráveis à categoria.
Por fim, a atuação da presidência do banco (indicada pelo governo Lula!) demonstra que a pauta da diversidade vem sendo utilizada como fachada para a manutenção de práticas de gestão austeras e prejudiciais aos trabalhadores.
O SEEB/RN segue firme na defesa dos direitos da categoria e exige o pagamento imediato do que é devido aos funcionários do Banco do Brasil.
