CEF mantém ataques ao Saúde Caixa enquanto paga milhões a administradores

Proposta da Caixa aumenta os custos do plano de saúde para os bancários e seus dependentes. Banco oferece 0,6% de reajuste salarial aos trabalhadores, mas aprova remuneração de R$ 79,5 milhões para presidente, diretores e membros do Conselho de Administração.

A nova proposta da Caixa Econômica para o plano Saúde Caixa mantém a cobrança de mensalidades de acordo com a faixa etária dos bancários e aumenta de R$ 3.600 para R$ 4.800 o teto anual de coparticipação dos trabalhadores.

A proposta também prevê uma cobrança adicional de R$ 150 por consulta em pronto-socorro, fora do limite anual de coparticipação, além de manter o aumento dos custos para os dependentes. Na prática, o banco amplia a parcela do plano que pesa diretamente no bolso dos trabalhadores e suas famílias.

Caixa quer antecipar pagamento da 13ª mensalidade
Outro ponto grave é a proposta de antecipação da 13ª mensalidade pelos bancários. O pagamento referente aos anos de 2028, 2029 e 2030 seria antecipado para cobrir o déficit do plano em 2026.

Com isso, em 1º de janeiro de 2027, o Saúde Caixa já começaria o ano com um rombo de aproximadamente R$ 500 milhões, mesmo antes de os trabalhadores utilizarem o plano no ano. É uma tentativa de transferir para os bancários a responsabilidade por um problema que não foi criado por eles.

Como forma de tentar convencer a categoria a aceitar a proposta, a Caixa oferece ainda um abono de R$ 3 mil, condicionado ao cumprimento da meta do Índice de Eficiência Operacional de 2026. Um benefício que não está garantido e pode servir apenas para justificar ataques permanentes ao plano de saúde.

Milhões para administradores, arrocho para bancários
Enquanto penaliza os trabalhadores, a Caixa aprovou, em reunião realizada em Brasília no dia 17 de agosto, a remuneração de R$ 79,5 milhões para seus administradores, incluindo presidente, diretores e membros do Conselho de Administração. O pagamento corresponde ao período de abril de 2025 a março de 2026. A decisão teve o aval do Ministério da Fazenda do governo Lula, representado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

A contradição é evidente e revela as prioridades da CEF. Para os administradores, uma remuneração de milhões; para os bancários, ataques ao Saúde Caixa e um reajuste salarial de apenas 0,6%.

"Diante desses absurdos, é fundamental fortalecer a greve nacional dos bancários. A mobilização é o caminho para enfrentar os ataques do banco, defender o Saúde Caixa e pressionar o governo a atender às reivindicações dos trabalhadores.", afirma Chiquito Neto, diretor do SEEB/RN.