SEEB/RN alerta que proposta de INPC + 0,6% não recupera perdas acumuladas e representa continuidade do arrocho sobre os salários dos bancários.
Uma “armadilha” vem sendo montada pela Fenaban, em conjunto com a Contraf-CUT, para encerrar a campanha salarial 2026 sem greve e sem ganho real para a categoria. Os números revelam que o suposto avanço anunciado pela Contraf-CUT nas negociações não representa uma vitória para os trabalhadores.
No último sábado (29/08), a Contraf-CUT anunciou, como se fosse uma conquista, o acordo com a proposta de reposição do INPC, acrescida de apenas 0,6% para 2026 e 2027. Ou seja, aproximadamente 4,6% nos salários e nas demais verbas econômicas.
A verdade dos números
Entre 2016 e 2025, os reajustes
acumulados chegaram a 70,98%,
enquanto o INPC acumulou 59,31%,
resultando em ganho de 7,33%. A vantagem, porém, foi sendo reduzida ao longo
dos anos. Entre 2018 e 2025, os
reajustes somaram 54,08%, contra 51,10% de inflação, reduzindo o ganho para
apenas 1,97%.
A partir de 2020, o cenário se tornou ainda mais desfavorável para os trabalhadores. De 2020 a 2025, os reajustes acumularam 40,68%, enquanto o INPC alcançou 42,11%. O resultado foi uma perda real acumulada de 1,01% no poder de compra dos bancários.
É justamente nesse ponto que está a armadilha. O falacioso “ganho real” de 0,6% defendido pela Contraf-CUT não recupera sequer a perda acumulada de 1,01%. Ou seja, os salários continuarão abaixo do poder de compra que tinham anteriormente.
“A postura da Contraf-CUT é vergonhosa, querem encerrar a campanha salarial com perda real. Os bancos lucraram R$ 255 bilhões em 2025, mas a Fenaban e o governo Lula querem impor mais arrocho para os bancários. É um absurdo. Nossa resposta tem que ser em greve.”, critica Alexandre Cândido, coordenador do SEEB/RN.
Para o Sindicato, sem mobilização e sem greve, será mantida a política de arrocho que vem corroendo os salários. Por isso, o SEEB/RN defende a convocação de assembleias em todo o país e a deflagração de greve nacional por tempo indeterminado. “Diante de tanto lucro dos bancos, defendemos valorização real da categoria, fim das metas abusivas, fim do assédio moral e melhores condições de trabalho para atender a população.”, defende Alexandre.
