Lucro bilionário do Itaú contrasta com demissões, assédio e adoecimento de bancários

O Itaú Unibanco anunciou lucro líquido de R$ 12,282 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 10,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto isso, trabalhadores do banco no Rio Grande do Norte denunciam um ambiente marcado por pressão, medo, perseguições e demissões imotivadas.

Nas últimas semanas, o Sindicato dos Bancários do RN recebeu uma série de denúncias de bancários relatando assédio moral, metas abusivas, sobrecarga de trabalho e práticas de intimidação dentro das agências. Somente nos últimos dois dias, três trabalhadores foram demitidos no estado, entre eles um profissional com mais de 35 anos de serviços prestados ao banco.

As denúncias apontam ainda para um ambiente de constante tensão, com ameaças veladas, cobranças excessivas e discriminação praticada por alguns gerentes. O cenário tem contribuído para o aumento dos casos de adoecimento físico e mental entre os trabalhadores.

Os números nacionais reforçam a contradição entre o crescimento dos lucros e a política de cortes promovida pelo banco. No primeiro trimestre de 2026, o Itaú contava com 81.659 empregados em todo o país, resultado do fechamento de 4.620 postos de trabalho em doze meses e de mais 1.034 vagas apenas no trimestre.

Ao mesmo tempo em que reduz o quadro de funcionários, o banco amplia sua base de clientes. Em doze meses, o Itaú fechou 360 agências físicas no Brasil, mas registrou crescimento de 1,678 milhão de clientes, chegando a 100,9 milhões ao final de março deste ano.

Para o Sindicato dos Bancários do RN, os dados evidenciam uma política de maximização dos lucros às custas da precarização das condições de trabalho. "Enquanto o banco acumula resultados bilionários, os trabalhadores enfrentam insegurança, pressão permanente e perda de direitos.", denuncia Albertina Bertino, diretora do SEEB/RN.

O sindicato reforça a importância de que os bancários denunciem casos de assédio moral, perseguição e abusos praticados no ambiente de trabalho, garantindo o sigilo das informações e acompanhamento jurídico e sindical aos trabalhadores atingidos.