Declaração de conselheiro de Trump contra brasileiras reforça discurso e violência machistas

O Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte repudia com veemência as declarações misóginas, preconceituosas e ofensivas proferidas por Paolo Zampolli, conselheiro de Donald Trump, aliado do presidente norte-americano e enviado especial para assuntos globais do governo republicano.

Em entrevista concedida à emissora italiana RAI, Zampolli atacou de forma brutal as mulheres brasileiras ao afirmar que seriam uma “raça maldita” e que estariam “programadas para causar confusão”. Trata-se de uma fala inadmissível, carregada de misoginia, xenofobia e desprezo, que agride não apenas a dignidade das brasileiras, mas de todas as mulheres trabalhadoras que diariamente enfrentam o peso da desigualdade, da violência e da discriminação.

As declarações de Paolo Zampolli não são um fato isolado ou um “deslize verbal”. Elas expressam, de maneira cristalina, o pensamento da extrema direita mundial sobre as mulheres, no Brasil representada pelo Bolsonarismo. É uma visão baseada no controle, na inferiorização, no ódio e na culpabilização feminina. É essa mesma lógica machista que tenta silenciar mulheres, negar seus direitos, desacreditar suas denúncias e naturalizar as múltiplas formas de violência de gênero.

Não por acaso, o próprio Zampolli carrega um histórico grave de acusações. Sua ex-esposa, a modelo brasileira Amanda Ungaro, o acusa de abuso sexual e violência doméstica desde a separação. O conteúdo de suas falas públicas dialoga diretamente com essa cultura de violência, uma cultura que transforma mulheres em alvo de humilhação, perseguição e agressão.

Quando um representante próximo ao núcleo do trumpismo se sente autorizado a chamar brasileiras de “raça maldita”, ele reforça um discurso internacional de ódio que legitima o machismo estrutural responsável por violentar, assediar e matar mulheres todos os dias. "Palavras importam. Discursos produzem práticas. E falas como essas alimentam o ambiente de intolerância em que feminicídios, abusos e violências são relativizados ou até incentivados.", critica Hilda Azevedo, diretora do SEEB/RN.

O Sindicato dos Bancários do RN reafirma sua solidariedade a todas as mulheres brasileiras e reitera seu compromisso histórico na luta contra o machismo, a misoginia e toda forma de opressão. "Não podemos aceitar que figuras públicas, daqui ou de fora, utilizem seus cargos e sua influência para disseminar ataques às mulheres, especialmente às trabalhadoras, que seguem sendo a maioria entre as vítimas da desigualdade social e da violência de gênero.", conclui Hilda.

O SEEB/RN reforça que combater a extrema direita também é combater o projeto político que sustenta a violência contra as mulheres.