No Brasil, o dia 31 de março marca os 62 anos do golpe de 1964. Uma das páginas mais violentas e tenebrosas da nossa história. A ditadura brasileira reprimiu trabalhadores e movimentos sociais para garantir os interesses dos capitalistas nacionais e estrangeiros. O golpe que depôs o presidente João Goulart contou com o apoio dos Estados Unidos, de setores das Forças Armadas e de grandes empresas. O regime autoritário durou até 1985; prendeu, torturou e matou opositores.
De acordo com a Comissão Nacional da Verdade, pelo menos 434 pessoas foram mortas ou permanecem desaparecidas e mais de 20 mil foram torturadas. Logo após o golpe, 409 sindicatos e 43 federações sofreram intervenção do governo. Greves foram reprimidas e trabalhadores passaram a ser demitidos e perseguidos. A violência do regime também atingiu camponeses, povos indígenas e moradores das periferias.
A repressão se aprofundou principalmente após o AI-5, em 1968, quando o regime fechou o Congresso, cassou mandatos, proibiu manifestações e oficializou a censura e a tortura. Sob o pretexto de “combater o comunismo”, a ditadura civil militar impôs condições brutais para o aumento dos lucros de grandes empresas. O chamado “milagre econômico” do capitalismo brasileiro foi construído em base a sangue, superexploração e retirada de direitos.
Mesmo diante da violência, a resistência popular se manteve viva, especialmente após o assassinato do estudante Edson Luís, em 1968, que desencadeou uma onda de protestos em todo o país e culminou na histórica Passeata dos Cem Mil. O movimento estudantil, as oposições sindicais e as grandes greves operárias do final dos anos 1970 tiveram papel fundamental no desgaste da ditadura e na retomada da organização da classe trabalhadora.
Diferente de outros países da América Latina, o Brasil não puniu os responsáveis pelos crimes do regime. A Lei da Anistia, de 1979, acabou beneficiando também os agentes da repressão, o que mantém até hoje a reivindicação por justiça e responsabilização. Essa impunidade, alimentada por todos os governos desde a redemocratização, explica a permanência de entulhos autoritários, como a violência policial nas periferias e a criminalização dos movimentos sociais.
O fortalecimento da extrema direita, que chegou ao poder no Brasil com Bolsonaro e que defende abertamente o regime militar, a tortura e a censura, mostra que a disputa pela memória, verdade e justiça continua atual. Nesse contexto, exigir punição aos crimes da ditadura corrupta e subserviente aos EUA é uma tarefa fundamental de todos nós. Lembrar é um ato de justiça. Esquecer é permitir que se repita. Ditadura nunca mais!
