Quando a luta contra o machismo se encontra com o fim da escala 6x1

A luta das mulheres contra a opressão machista atravessa o enfrentamento à superexploração e à precarização do trabalho, que afetam principalmente as mulheres negras, que estão na base da desigualdade social. Assim, lutar contra a escala 6x1 é fundamental para combater também o machismo.

Essa jornada de trabalho desumana imposta por muitas empresas atinge em cheio as trabalhadoras, que enfrentam a dupla ou tripla jornada ao chegarem em casa, já que o machismo impõe às mulheres a responsabilidade pelo cuidado dos filhos, da casa e da família.

Dados do Censo do IBGE de 2022 mostram que as mulheres dedicam quase o dobro de horas semanais ao trabalho doméstico e de cuidados em comparação com os homens. São 21,3 horas semanais para elas, enquanto para eles são 11,7 horas. Portanto, as jornadas exaustivas da escala 6x1 significam ainda mais sobrecarga para as trabalhadoras.

“Acabar com a 6x1 e estabelecer uma jornada 4x3, sem redução de salário, é fundamental para combater a exploração e o machismo que massacram as mulheres.”, defende Izolda Capistrano, diretora do SEEB/RN.

A luta das mulheres trabalhadoras deve estar articulada às lutas gerais da classe, pois a violência de gênero não é um problema isolado, mas parte de um sistema de opressão e exploração. Além do fim da escala 6x1, é preciso cobrar políticas públicas efetivas, ampliação de recursos, funcionamento integral de casas-abrigo, delegacias especializadas e centros de referência em todo o país.

“Precisamos fortalecer a organização de base, com redes de solidariedade em sindicatos, escolas, bairros e movimentos, garantindo apoio, formação, denúncia e acolhimento às vítimas.”, destaca Izolda.