O debate sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho ganhou força no Congresso Nacional e nas ruas em meio a uma intensa mobilização nacional. A pauta se tornou um dos principais temas do debate público desde o final de 2023, quando o Movimento VAT (Vida Além do Trabalho) iniciou uma série de mobilizações em defesa de mais tempo de vida para a classe trabalhadora.
De lá para cá, o tema se espalhou por todo o país. Nas redes sociais, nos locais de trabalho e nas ruas, cresce o apoio popular à proposta que busca acabar com a escala de seis dias de trabalho para apenas um de descanso. Um novo levantamento da Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados, divulgado no dia 12 de março, mostrou que 82% dos brasileiros de 16 a 40 anos são a favor do fim da escala 6x1, sem redução salarial.
O avanço da mobilização popular tem aumentado a pressão sobre o governo Lula e o Congresso Nacional, que estão sendo cobrados a responder urgentemente a essa demanda, sobretudo em ano eleitoral.
Apesar do forte apoio popular, o fim da escala 6x1 enfrenta resistência de setores patronais, especialmente em áreas como comércio, telemarketing e construção civil, onde esse tipo de jornada desumana é amplamente utilizado.
Empresários desses setores e políticos de direita já se articulam para tentar adiar a votação do projeto para depois das eleições de outubro. Outra estratégia é a intensificação de campanhas na mídia com “terrorismo econômico”, alegando supostos impactos negativos para a economia caso a proposta avance.
Além disso, há o risco de que surjam propostas alternativas que esvaziem o conteúdo central da reivindicação dos trabalhadores e ampliem a flexibilização das relações de trabalho no país.
Para o coordenador do Sindicato dos Bancários do RN, Alexandre Cândido, apenas a pressão popular pode garantir avanços concretos. “A classe trabalhadora não pode confiar que esse Congresso, dominado pelo Centrão, pela extrema direita e pelos grandes empresários, vá entregar tranquilamente a redução da jornada de trabalho. Precisamos parar o país contra a escala 6x1, e defender uma escala 4x3.”, propõe Alexandre.
