Brasil bate recorde histórico de feminicídios em 2025: quatro mulheres são mortas por dia

O Brasil vive um momento dramático na violência de gênero: em 2025 o país registrou um número recorde de feminicídios, com 1.470 casos ao longo do ano, uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados por discriminação de gênero. Esses números, divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, representam o maior patamar da série histórica registrada no país.
O feminicídio, homicídio decorrente de violência contra a mulher por razões de gênero, continua sendo uma expressão extrema do machismo estrutural e das desigualdades que atravessam a sociedade brasileira. A maioria das vítimas sofre violência no próprio lar, cometida por companheiros, ex-companheiros e pessoas próximas, em um ciclo de abuso que muitas vezes culmina na morte.
O Movimento Mulheres em Luta (MML), filiado a CSP-Conlutas, alerta que apesar das leis mais rígidas, como a Lei Maria da Penha (2006) e a tipificação do feminicídio em 2015, a violência persiste e em níveis cada vez mais elevados. A realidade de 2025 mostra que nenhuma família, classe social ou região está imune a esse crime brutal, e que falar sobre feminicídio não é apenas uma exigência de justiça, mas uma necessidade. Também ressalta que os dados demonstram que as politicas públicas desenvolvidas pelos últimos governos (sejam os do campo progressista como Dilma e Lula ou os de direita como FHC e Bolsonaro) se demostram insuficientes para o combate a violência contra a mulher!
Especialistas também apontam que os índices oficiais podem ser subestimados, já que parte dos casos ainda depende de aprimoramento no registro e investigação. O crescimento dos feminicídios ao longo da década, sobretudo quando comparado com a década passada, evidencia que as políticas públicas ainda não foram suficientes para conter o avanço dessa violência letal.
Para além dos números, cada caso representa uma mulher com uma história, sonhos, relações e laços familiares interrompidos de forma brutal. A manutenção de uma média tão alta de feminicídios denuncia não apenas a falha do sistema de proteção às mulheres, mas também uma cultura profundamente misógina, que persiste em tolerar e naturalizar a violência contra as mulheres.

Medidas e combate à violência machista e o feminicidio

O Sindicato dos Bancários do RN reforça seu compromisso com a luta contra todas as formas de violência machista, apoiando campanhas, políticas públicas e iniciativas que visem a proteção e a segurança das mulheres. A redução do feminicídio depende da ação conjunta da sociedade, dos movimentos sociais e do Estado, para que as mulheres possam viver com dignidade, liberdade e sem medo.
Para a CSP-Conlutas, central sindical que o SEEB-RN é filiado, os números, atestam que a realidade é uma só: existe uma epidemia de feminicídios e violência machista contra as mulheres. Para denunciar e combater essa situação, o Setorial de Mulheres da Central lançou uma campanha nacional emergencial, uma série de propostas. Entre elas:

- Unificar a luta das mulheres trabalhadoras com as lutas gerais da classe: a violência de gênero não é um problema isolado, mas parte de um sistema de opressão e exploração. Só a organização independente da nossa classe pode oferecer respostas reais.
- Exigir políticas públicas efetivas: aumento imediato de orçamento para enfrentamento à violência, ampliação e funcionamento integral de casas-abrigos, centros de referência e serviços especializados em todo o país.
- Construir comissões de autodefesa e redes de solidariedade: nos sindicatos, escolas, bairros e movimentos, fortalecer iniciativas de apoio entre mulheres, formação política, denúncia e acolhimento de vítimas.
- Lutar contra o machismo nas nossas fileiras: o enfrentamento à violência começa nos nossos espaços de militância. Precisamos construir uma prática antissexista cotidiana, com mecanismos de escuta, denúncia e enfrentamento das violências internas às organizações sindicais e populares.
- Levantar essa bandeira em todas as frentes de luta: nas greves, nas ocupações, nas campanhas salariais, nas lutas por moradia, transporte e saúde, a denúncia da violência contra as mulheres deve estar presente como parte da pauta da classe trabalhadora.