A manhã desta sexta-feira (05) foi mais um retrato do descaso do Bradesco com a população e com seus próprios trabalhadores. Imagens registradas pelo Sindicato dos Bancários do RN mostram a agência da Avenida Thomaz Landim, na zona norte de Natal, completamente lotada. Pessoas amontoadas nos corredores, idosos e crianças submetidos a longas esperas, e até clientes sentados no chão à espera de atendimento.
Segundo relatos, a situação caótica não é pontual. Na quinta-feira (04), o cenário se repetiu, com usuários aguardando até três horas na fila. A informação é de que há só um caixa atendendo o público, enquanto bancários de outras agências e municípios estariam sendo deslocados para tentar conter a demanda, mas sem resultado.
A sobrecarga no atendimento tem relação direta com a transferência recente de mais 400 beneficiários do INSS, vindos do Itaú, para serem atendidos na unidade do Bradesco. A agência, que já sofre com afastamentos de trabalhadores por doença, agora enfrenta uma pressão ainda maior, colocando em risco a saúde dos funcionários e a dignidade do público.
Ganância bilionária e
caos cotidiano
O contraste entre o lucro do banco e a realidade vivida nas agências é um
escândalo. Somente nos nove primeiros meses de 2025, o Bradesco registrou lucro
líquido recorrente de R$ 18,136 bilhões, um crescimento de 28,2% em relação ao
mesmo período de 2024.
Mesmo assim, o banco segue cortando custos e penalizando a população e os trabalhadores. Foram eliminados 2.361 empregos em 12 meses, além do fechamento de 296 agências, 1.246 postos de atendimento e 61 unidades de negócios. A instituição justifica a política de enxugamento como parte de sua “estratégia de otimização do custo de servir”. Na prática, a frase pomposa significa menos trabalhadores, menos atendimento e mais lucros para os acionistas.
“Eles demitem, fecham
agências e o povo que pague a conta”
Para o diretor do Sindicato dos Bancários do RN, Eduardo Xavier, a situação
é mais um capítulo da lógica predatória do sistema financeiro. “O banco vem
batendo recordes de lucros às custas do sacrifício da população e do
adoecimento dos trabalhadores. Essa é a lógica de funcionamento do capitalismo.
Para os acionistas, só interessam seus lucros bilionários. Eles demitem, fecham
agências e o povo que pague a conta. É preciso uma ação enérgica dos
trabalhadores contra os abusos dos banqueiros, que infelizmente contam com o
aval dos governos.”, afirma Eduardo.
Reunião com a
Superintendência
Após a denúncia, o Sindicato se reuniu com a Superintendência do Bradesco e
exigiu uma resolução para o problema, com a contratação de mais funcionários.
De imediato, o SEEB/RN também reivindicou que fosse enviado um novo caixa à
agência da Thomaz Landim, para suprir a demanda no local. A Superintendência
garantiu que irá deslocar um funcionário e que também está pedindo por novas
contratações.
O Sindicato dos Bancários do RN vai continuar denunciando as condições degradantes impostas pelo Bradesco e cobrando medidas urgentes para garantir atendimento digno à população e condições de trabalho adequadas aos bancários.
