Trabalhadores reconhecem importância dos sindicatos e rejeitam precarização, aponta Vox Populi

Para 70% dos trabalhadores, greve é um direito e os sindicatos são importantes para garantir conquistas.

Após décadas de ataques aos direitos trabalhistas, reformas neoliberais e precarização, uma pesquisa do instituto Vox Populi indica uma melhora na percepção sobre o movimento sindical. Segundo o levantamento, 68% dos trabalhadores consideram os sindicatos importantes ou muito importantes para a defesa de direitos e para a melhoria das condições de trabalho. Além disso, mais de 70% defendem o direito de greve, instrumento histórico de luta da classe trabalhadora.

A pesquisa “O Trabalho e o Brasil” ouviu 3.850 trabalhadores de diferentes categorias e situações, a exemplo de assalariados com e sem carteira assinada, autônomos, empreendedores, servidores públicos, trabalhadores de aplicativos, desempregados e aposentados. A consulta foi realizada entre maio e junho deste ano, e a margem de erro é de 1,6 ponto percentual.

Os números revelam uma percepção muito mais complexa do que aquela difundida pelos setores que tentam enfraquecer a organização coletiva. Apesar da queda na sindicalização nos últimos anos, impulsionada pela reforma trabalhista, pela uberização e pejotização, a maioria dos trabalhadores segue reconhecendo o papel fundamental dos sindicatos.

Os dados mostram que 68% acreditam que os sindicatos contribuem para melhorar salários e condições de trabalho; 67,8% apontam seu papel na melhoria das condições de vida e 67,1% reconhecem a importância da mediação com as empresas. Ou seja, a maioria da classe trabalhadora sabe que sem organização coletiva não há negociação real nem avanço de direitos.

Contra a precarização
O levantamento também mostra a insatisfação com o modelo de precarização imposto por patrões e governos, já que 56% dos trabalhadores que já tiveram carteira assinada gostariam de voltar ao regime CLT. O número indica que a flexibilização não trouxe liberdade, mas sim insegurança, jornadas extenuantes e perda de direitos. “A classe trabalhadora sente na pele a exploração e sabe que só com união, organização e luta é possível enfrentar a precarização e defender direitos.”, destaca Marcos Tinôco, diretor do Sindicato dos Bancários do RN.

Apesar disso, a pesquisa revela um desafio para o movimento sindical. De acordo com o instituto Vox Populi, 52,4% dos entrevistados afirmam não conhecer de fato as ações dos sindicatos que os representam. As principais demandas apontadas incluem maior presença nos locais de trabalho, comunicação mais eficaz e oferta de cursos de qualificação. Entre as prioridades apontadas pelos trabalhadores estão melhores salários, geração de empregos, saúde e segurança, redução da jornada e combate à discriminação.

A tendência captada pela pesquisa encontra amparo nos dados do IBGE. Após uma década de queda contínua, a taxa de sindicalização registrou uma pequena alta, passando de 8,4% em 2023 para 8,9% em 2024. O índice está longe dos 16% observados em 2012, antes da reforma trabalhista, mas especialistas avaliam que o crescimento, mesmo tímido, reflete um movimento de retorno à organização coletiva diante da piora das condições de trabalho e da necessidade de proteção.

“Os sindicatos precisam resgatar a combatividade e a independência política. É preciso atualizar as formas de comunicação e de luta junto à classe trabalhadora, para enfrentar os desafios atuais do capitalismo.”, avalia Tinôco.