Neste 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, fazemos um chamado urgente a todo o movimento. É preciso uma forte mobilização diante da realidade brutal que atinge milhões de mulheres, especialmente as negras e trabalhadoras. No Brasil, números de 2024 mostram o tamanho da tragédia e a necessidade de fortalecer a luta organizada contra o machismo.
Dados do Ministério das Mulheres e da Segurança Pública, do Atlas da Violência e do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher revelam que o país registrou entre 1.450 e 1.492 feminicídios no ano passado. Foram vidas interrompidas pela misoginia, pela desigualdade e por um Estado que segue falhando em proteger as mulheres. Toda essa violência tem cor e endereço. Mais de 60% das vítimas eram mulheres negras e cerca de 80% dos feminicídios foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros.
Os números da violência sexual também são alarmantes. Em 2024, foram registrados 71.892 casos de estupro, o que equivale a 196 mulheres violentadas todos os dias. A violência cotidiana (física, psicológica, sexual) recai com intensidade ainda maior sobre as mulheres negras, que representaram 60,4% das vítimas adultas. Entre aquelas que não possuem renda, 85% conviviam com o agressor, revelando como a dependência econômica aprofunda a situação de vulnerabilidade.
Contra a violência machista e a omissão dos governos; em defesa da vida das mulheres
Enquanto a realidade exige ação imediata, os sucessivos governos optam pela omissão e por políticas de “austeridade”, como o arcabouço fiscal. Esse sucateamento do combate à violência resulta em casas-abrigo fechadas e redução no atendimento de delegacias especializadas. Para piorar, o orçamento federal de 2024 para políticas de mulheres representou menos de 0,01% do total executado pela União.
Diante desse cenário, o Sindicato dos Bancários do RN se soma à CSP-Conlutas em defesa da vida das mulheres. É preciso construir uma luta forte e independente dos governos, desde o nível federal até os municípios. É urgente que o movimento sindical incorpore as seguintes pautas:
>> Garantir verbas públicas estáveis para
Casas-Abrigo, Delegacias da Mulher, Centros de Referência e equipes
multidisciplinares que funcionem 24 horas, especialmente nas periferias e zonas
rurais.
>> Fiscalizar e assegurar controle social sobre essas
políticas, garantindo investigação efetiva das denúncias e combate à
impunidade.
>> Aplicar rigorosamente a lei de igualdade salarial,
garantindo que mulheres e homens, pessoas negras e brancas, recebam salário
igual por trabalho de igual valor.
>> Combater a terceirização e a precarização, que
atingem com força as mulheres negras, concentradas nos empregos mais explorados
e sem direitos.
>> Expandir a rede de creches públicas de qualidade,
em período integral, nos bairros periféricos, locais de estudo e empresas.
>> Implementar mecanismos de combate ao assédio moral
e sexual nos locais de trabalho, que barram carreiras, silenciam denúncias e
perpetuam opressões.
>> Construir políticas de reparação histórica que
enfrentem as desigualdades impostas às mulheres negras desde a escravidão, com
recursos orçamentários e mudanças estruturais reais.
O combate ao machismo em todas as suas formas é uma luta de
toda a classe trabalhadora. Defender a vida das mulheres é defender um futuro
sem opressão, exploração e violência. Enquanto uma mulher trabalhadora for
violentada, nenhuma mulher estará verdadeiramente livre.
