Violência contra mulheres cresce e exige resposta permanente do movimento sindical

A violência contra as mulheres no Brasil segue em um nível alarmante. Os números mais recentes mostram que a realidade pode ser ainda pior do que imaginávamos. De acordo com pesquisa do Instituto DataSenado, que ouviu 21.641 brasileiras neste ano, 88% das mulheres já sofreram violência psicológica ao longo da vida. O dado escancara a face silenciosa do machismo naturalizado e profundamente enraizado na sociedade brasileira.

A pesquisa também aponta que 71% das agressões são testemunhadas por alguém, seja adulto ou criança, e que boa parte dessas testemunhas são os próprios filhos das mulheres agredidas. Essa violência tem atravessado gerações e produzido marcas emocionais e sociais que se prolongam no tempo. Além disso, 40% das testemunhas adultas não tomam qualquer atitude diante da agressão, evidenciando o quanto a violência é tratada como algo “doméstico”, como se fosse um problema privado, e não uma violação brutal de direitos e de dignidade humana.

Outro ponto crucial revelado pelos dados é a mudança no perfil das violências relatadas. Até 2021, a violência física aparecia com mais frequência nos relatos. Hoje a violência psicológica (ameaças, humilhações, chantagens, controle, isolamento) tornou-se a forma mais comum de agressão vivida pelas mulheres. A cada dez mulheres entrevistadas, praticamente nove afirmam já ter passado por essa forma de violência. Sete em cada dez vítimas procuram apoio primeiro na família, enquanto apenas três em cada dez vão a uma delegacia. Isso acontece porque, na maioria das vezes, a denúncia só chega às instituições formais quando a violência se torna gravíssima. É o retrato de um país onde o machismo se reproduz em palavras, gestos, controle e silenciamentos.

O aumento da procura por ajuda também fica evidente nos serviços públicos. O Ligue 180 registrou, nos dez primeiros meses de 2025, um crescimento de 33% nas chamadas em comparação com o mesmo período do ano anterior. O quadro é cruel. Uma em cada três mulheres já sofreu violência sexual de um parceiro íntimo ao longo da vida. Esse dado expõe a perversidade do machismo que, dentro das relações afetivas, insiste em transformar o corpo das mulheres em território de domínio e violência.

Diante dessa realidade chocante, o movimento sindical não pode se calar, sobretudo porque as mulheres trabalhadoras e negras são as principais vítimas. “É impossível defender direitos, dignidade e o fim da exploração da classe trabalhadora sem assumir a luta contra o machismo e todas as formas de opressão que atingem diretamente metade da classe.”, aponta Izolda Capistrano, diretora do SEEB/RN.

O Sindicato dos Bancários do RN, alinhado à campanha nacional impulsionada pela CSP-Conlutas, reforça seu compromisso com essa luta e defende a construção de uma mobilização permanente contra a violência machista, nas ruas, nos locais de trabalho e nas escolas. “A violência contra a mulher não é um problema individual, não é privado e não é questão de família. É uma questão social, política e de classe. Sindicatos e movimentos sociais precisam incorporar essa pauta ao cotidiano de suas lutas”, conclui Izolda.