Banco do Brasil amplia precarização do atendimento e prepara fechamento de caixas em Natal

O fechamento dos caixas na agência Tirol do Banco do Brasil confirma a política de redução no atendimento presencial que pode ser ampliada para outras unidades de Natal. A agência tem funcionado como projeto piloto de uma estratégia que ameaça o acesso da população aos serviços bancários e aumenta a sobrecarga aos trabalhadores.

Em junho de 2025, o Banco do Brasil suspendeu o funcionamento dos guichês de caixa da agência Tirol devido a uma ampla reforma no prédio. Durante o período, os bancários foram remanejados para outras salas, enquanto o atendimento negocial e o setor de caixas ficaram fechados.

A obra durou cerca de oito meses e envolveu uma reforma completa da agência, com substituição de mobiliário e até a demolição e reconstrução do cofre. No entanto, na véspera da reabertura da unidade, os trabalhadores foram surpreendidos com a informação de que os caixas não voltariam a funcionar. Desde então, a agência permanece sem atendimento de caixa, o que ocasionou uma redução no fluxo de entrada de clientes e gerou prejuízo na captação de negócios. O problema só foi amenizado no período pelo fechamento do atendimento, por motivo de reforma, na agência Potiguar, no Centro.

Segundo relatos de bancários, a direção do Banco do Brasil pretende intensificar o fechamento de guichês, seguindo a mesma lógica adotada por bancos privados, como o Bradesco, que vem reduzindo o atendimento presencial em Natal.

Projeto de desmonte
A denúncia ganhou ainda mais força após visita do Sindicato dos Bancários do RN à Plataforma de Suporte Operacional (PSO), setor responsável pelas atividades dos caixas do Banco do Brasil. As informações obtidas pelo SEEB/RN apontam para a existência de um programa chamado de “Centralização”, que pode resultar no fechamento dos guichês de pelo menos outras três ou quatro agências da capital.

Para o Sindicato, a medida representa mais um passo no processo de desmonte e precarização do atendimento bancário presencial. "A concentração dos serviços em um número menor de agências tende a aumentar o fluxo de clientes nas unidades remanescentes, ampliar o tempo de espera da população e intensificar a sobrecarga de trabalho dos bancários", alerta Alexandre Cândido, coordenador do SEEB/RN. “Por outro lado, as agências que perdem o atendimento de caixa reduzem a perspectiva de negócios e serviços, e sem atendimento o banco decide fechar tal agência", explica ele.

O Sindicato cobra que o Banco do Brasil suspenda o projeto de fechamento dos caixas e preserve um atendimento público de qualidade, compatível com o papel social da instituição e com as necessidades da população potiguar.