Estudo revela que 72% dos brasileiros trabalham em "modo de sobrevivência"

Uma pesquisa realizada pela healthtech de saúde mental Starbem aponta que cerca de 72% dos brasileiros vivem hoje em "modo de sobrevivência" no trabalho. O cenário revela um esgotamento crítico dos trabalhadores, marcado pela incapacidade de descansar e se recuperar física e emocionalmente.

O levantamento acompanhou 1.868 participantes e mostra que o cansaço extremo se tornou uma condição permanente da maioria da população. O dado indica que o trabalho passou a ocupar quase todo o espaço físico e emocional da vida dos trabalhadores.

Crise do sono e sobrecarga permanente
Entre as principais consequências está a piora da qualidade do sono. Segundo a pesquisa, 58% dos entrevistados afirmam dormir mal ou muito mal, enquanto apenas 13% classificam o sono como bom ou excelente.

Mesmo após o expediente, trabalhadores permanecem em estado constante de vigilância, conectados a celulares, mensagens e demandas profissionais. O "modo de sobrevivência" é marcado por uma rotina de preocupação constante com metas, prazos e contas a pagar. A atenção fica restrita às tarefas urgentes, sem espaço para vida pessoal ou descanso efetivo.

Pressão excessiva compromete produtividade
A pesquisa também questiona o modelo de gestão adotado por muitas empresas, que ainda associam pressão excessiva à produtividade. Embora o país esteja cada vez mais orientado para metas e desempenho, o aumento do esgotamento revela que a intensificação do trabalho compromete a saúde dos trabalhadores e afeta a própria eficiência das organizações.

Redução da jornada ganha força
O avanço dos casos de adoecimento mental tem impulsionado o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. Desde a pandemia, temas como excesso de carga horária, burnout e equilíbrio entre vida profissional e pessoal passaram a ocupar o centro das discussões.

Dados do Ministério da Previdência Social mostram que o Brasil registrou cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho em 2024, reforçando a urgência de medidas que garantam melhores condições de vida para a classe trabalhadora.

O fim da escala 6x1, que prevê a adoção da escala 5x2 e a redução da jornada para 40h semanais, foi aprovado na Câmara dos Deputados, mas segue parada no Senado.

SEEB/RN defende jornada de 36 horas e escala 4x3
O Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte (SEEB/RN) defende o fim da escala 6x1, mas considera insuficiente a proposta do governo Lula em tramitação no Congresso Nacional. Para o SEEB/RN, é necessário avançar para uma jornada semanal de 36 horas, distribuída em uma escala 4x3, sem redução salarial.

"Nós defendemos a escala 4x3, com redução da jornada para 36 horas já, sem redução salarial. Isso é o mínimo de justiça para a classe trabalhadora. É por isso que devemos lutar e até construir uma greve geral no país, para enfrentar tanto os escravocratas da extrema direita quanto o governo e sua política de conciliação com os patrões", afirma Alexandre Candido, coordenador do SEEB/RN.

Para o sindicato, enfrentar o adoecimento provocado pelo trabalho exige mudanças estruturais que coloquem a saúde, o tempo livre e a qualidade de vida dos trabalhadores acima da lógica do lucro.