O chamado pink money, expressão que define o poder de consumo da população LGBTQIAPN+, movimenta bilhões no Brasil. Segundo a consultoria Out Now, esse mercado representa cerca de R$ 420 bilhões anuais. Somente a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, em 2025, gerou um impacto de R$ 550 milhões na economia da capital paulista, de acordo com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Entretanto, estes números podem esconder uma contradição. Enquanto empresas disputam a atenção e o consumo da comunidade LGBTQIAPN+, o país segue sendo um dos mais violentos do mundo para essa população.
Durante o Mês do Orgulho, marcas estampam bandeiras coloridas e lançam campanhas publicitárias voltadas ao público LGBT+. No entanto, muitas dessas ações se limitam ao chamado pink washing, que é a apropriação comercial da pauta sem compromisso efetivo com a promoção de direitos, inclusão e combate à discriminação.
Além de produzir sofrimento e exclusão, o preconceito também gera prejuízos econômicos. Estudo do Banco Mundial aponta que o Brasil perde mais de R$ 94 bilhões por ano devido à exclusão de pessoas LGBT+ do mercado de trabalho. Entre a população trans, a realidade é que apenas 25% tinham emprego formal em 2023 e os salários são, em média, 32% menores que a média nacional, segundo o Ipea.
Além disso, dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) mostram que o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas transexuais e travestis no mundo, com 80 assassinatos registrados em 2025.
As Paradas do Orgulho, historicamente construídas como espaços de resistência e denúncia, tornaram-se alvo da mercantilização. O apoio empresarial à diversidade varia conforme interesses econômicos, governo de plantão e expectativas do mercado financeiro.
Mais do que consumir, a população LGBTQIAPN+ reivindica direitos, respeito e dignidade. É preciso recuperar o caráter político das Paradas e fortalecer a luta contra a violência, a discriminação e todas as formas de exploração capitalista, que transformam identidades em oportunidade de lucro, sem enfrentar as desigualdades estruturais que existem no país.
