A luta pelo fim da escala 6x1 ganhou força a partir da insatisfação de milhões de trabalhadores diante de jornadas exaustivas, baixos salários e da dificuldade de conciliar trabalho, descanso e tempo com a família. Assim, a pressão nas ruas e nas redes sociais colocou o debate sobre a redução da jornada de trabalho no centro da pauta nacional.
Por isso a CSP-Conlutas, junto com outras entidades sindicais e movimentos sociais, está convocando uma grande jornada de mobilização nos locais de trabalho, estudo e moradia, com a realização de atos em todo o país no próximo dia 27 de maio. Em Natal, a manifestação será nesta quarta-feira (27), às 15h, no calçadão do Midway. O Sindicato dos Bancários do RN defende o fim da escala 6x1 e reforça o chamado para o ato.
Contra as armadilhas do Congresso Nacional
Mas é preciso ficar atento ao debate e às mudanças nas
propostas em discussão no Congresso Nacional. Para o Sindicato dos Bancários do
RN, o modelo de jornada 5x2 e 40 horas semanais apresentado pelo governo Lula é
insuficiente diante da reivindicação de amplos setores da classe trabalhadora,
que defendem a redução para 36 horas semanais sem redução salarial.
O governo e o Congresso até já negociam a possibilidade de uma implementação gradual da redução da jornada. Propostas em debate preveem períodos de transição que podem se estender por até 10 anos, o que manteria milhões de trabalhadores submetidos por mais tempo a esta exaustiva e degradante escala 6x1.
Além disso, setores patronais, o centrão e a extrema direita tentam flexibilizar a aplicação das novas regras. Na prática, eles querem ampliar os mecanismos de contratação precária, flexibilização de direitos e modelos de remuneração proporcional por hora trabalhada. “No Congresso, eles querem dar incentivos e compensações fiscais para empresas que aderirem à redução da jornada, uma espécie de bolsa patrão. É um absurdo. Os custos da mudança não devem ser financiados com recursos públicos. Quem tem que pagar a conta são os bilionários do país, que já lucraram demais com a exploração dos trabalhadores.”, defende Alexandre Cândido, coordenador do SEEB/RN.
Outro ponto que os sindicatos reivindicam é a revogação da reforma trabalhista, que foi responsável pela ampliação da precarização das relações de trabalho, incluindo o trabalho intermitente, terceirizações e outras formas de contratação precária em relação aos direitos garantidos pela CLT.
Entre as principais reivindicações apresentadas pelos movimentos estão:
• Jornada de 36 horas semanais sem redução salarial;
• Garantia de descanso nos fins de semana e avanço para
modelos com mais dias de folga;
• Manutenção integral dos direitos trabalhistas;
• Revogação da reforma trabalhista;
• Fim do trabalho intermitente;
• Combate à pejotização;
• Rejeição de todos os projetos de precarização das relações
de trabalho.
“Nosso sindicato estará nas ruas para ampliar a mobilização nacional e pressionar o Congresso e o governo Lula durante a tramitação e votação das propostas. Dia 27 de maio é o dia nacional pelo fim da escala 6x1 e toda classe trabalhadora precisa estar unida contra essa escravidão moderna. A luta de um trabalhador ou trabalhadora é a luta de todos os trabalhadores.”, afirma Alexandre.
