Fechamento de agência do Bradesco em Natal preocupa categoria e reforça ataques dos bancos

O Bradesco vai fechar a agência localizada na Avenida Prudente de Morais, em Natal, para transformar a unidade em um espaço voltado exclusivamente ao atendimento de clientes de alta renda, a chamada Agência Bradesco Principal. A mudança aumenta a preocupação entre os bancários diante do risco de transferências, sobrecarga de trabalho e novas demissões.

A atual agência deixará de funcionar como unidade tradicional e dará lugar a uma estrutura de negócios sem caixa e sem tesouraria, direcionada apenas ao segmento de alta renda. Com a mudança, os atendimentos serão incorporados à agência Centro do Bradesco, enquanto parte dos funcionários será transferida para a unidade do Alecrim e outros seguirão para a agência centro.

Esse cenário tem gerado cada vez mais insegurança. “Existe aquele pavor, porque a gente sabe que, se fecha a agência, para onde é que vai o pessoal? Alguns são aproveitados, outros são demitidos, que é o que tem acontecido no Brasil inteiro, essa onda de demissões, a exemplo do Itaú, e agora o Bradesco”, critica Eduardo Xavier, diretor do Sindicato dos Bancários do RN.

Aumento nos lucros, demissões e fechamento de agências
O fechamento ocorre em meio ao crescimento dos lucros do banco. O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,811 bilhões no primeiro trimestre de 2026, resultado 16,1% superior ao obtido no mesmo período do ano passado e 4,5% acima do trimestre anterior. Segundo dados divulgados pelo banco, este foi o nono trimestre consecutivo de alta nos lucros.

Ao mesmo tempo em que amplia a rentabilidade, o banco vem reduzindo sua estrutura e seu quadro de trabalhadores no país. O Bradesco encerrou o primeiro trimestre de 2026 com 80.348 funcionários, sendo 68.822 bancários, após eliminar 3.017 postos de trabalho em doze meses. Entre os bancários, a redução chegou a 3.131 vagas no período.

A política de enxugamento também atingiu a rede física. Nos últimos doze meses, o banco fechou 346 agências, 1.053 postos de atendimento e 15 unidades de negócios, encerrando o período com 1.938 agências em funcionamento.

Para o sindicato, o fechamento de unidades e a redução de pessoal têm impactos diretos sobre trabalhadores e clientes. A diminuição do quadro funcional amplia a pressão por metas, aumenta a sobrecarga de trabalho e contribui para o adoecimento da categoria. Já a população enfrenta mais dificuldades de acesso aos serviços bancários, com menos agências disponíveis, unidades frequentemente lotadas e expansão de modelos de atendimento voltados prioritariamente à alta renda.

“O caso da agência da Prudente de Morais, em Natal, reforça uma tendência que vem sendo denunciada pelo Sindicato dos Bancários do RN há muito tempo. Os bancos estão ampliando os lucros bilionários enquanto reduzem empregos, fecham agências e restringem o atendimento presencial à população. Esse ano tem campanha salarial e nós precisamos pautar esses ataques.”, avalia Eduardo Xavier.